OLHOS ATENTOS AOS SINAIS DE ANSIEDADE

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Vinícius Castelli

 SAÚDE

 
OLHOS ATENTOS AOS SINAIS DE ANSIEDADE
 
Doença que cresce no Brasil pode começar
na fase escolar
 
O Brasil é conhecido como lugar do Carnaval, da alegria,  das belas praias, entre tantas coisas. Mas há outro fator que tem marcado bem o País ultimamente: a ansiedade. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 9,3% da população brasileira (cerca de 18,6 milhões de pessoas) passa por isso, fator que coloca o Brasil como o mais ansioso do mundo. E engana-se quem pensa que isso só afeta os adultos, com seus problemas do cotidiano e boletos para pagar. Crianças e jovens não estão livres desse sério problema.
E são vários os fatores que podem desencadear a ansiedade nas crianças e nos jovens. Desde algo muito grave, como a perda de um ente querido, ou bullying e violência física. Até mesmo a superproteção dos pais que, ao demonstrarem medo com relação a tudo que a criança passa, pode causar insegurança nos filhos e desencadear ansiedade. “Está cada vez mais frequente o diagnóstico de ansiedade nas crianças e adolescentes. É uma doença da atualidade que não está restrita a adultos”, explica a Dra. Fabíola Toffoli, graduada em medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes. 
Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, o psicólogo clínico André Correia explica que no âmbito escolar a ansiedade também é observada, assim como nos meios familiar e social. “Infelizmente está cada vez mais comum o surgimento de casos relacionados a algum tipo e ansiedade em jovens e crianças”, frisa.
A pediatra diz que é muito comum que os sintomas dessa doença passem a se manifestar ainda na fase escolar. “Há relação com a pressão de querer fazer parte de um grupo, medo da separação, medo do ambiente novo, querer ser aceito, tirar boas notas, ter muitos amigos, desempenhar um papel social na escola e coincide com as mudanças das fases da vida das crianças”, diz Fabíola .
Segundo Correia, no meio escolar a ansiedade pode surgir pela necessidade de aceitação do grupo social e pela exigência de resultados que está atingindo pessoas cada vez mais jovens. A pediatra reforça que, entre as situações no período escolar que podem causar ansiedade, estão o medo de errar, de ser criticado ou ridicularizado pelos colegas, de perder o ano escolar. “Porém, esses fatos são corriqueiros e os sintomas, variáveis em cada indivíduo”, afirma ela. 
Um dos fatores que ambos os profissionais destacam para causa da ansiedade é o bullying. “É uma violência mental que pode se tornar física. É o exercício injusto e cruel da força e do poder sobre um indivíduo teoricamente mais frágil”, explica o psicólogo. Segundo a doutora, é uma das situações que mais causam a doença, pois a criança sofre antecipadamente ao evento e pode apresentar sintomas físicos na tentativa de não ir à escola. “Também é causa de um grande sofrimento, sensação de impotência frente ao que ocorre, maior introspecção, não conseguir se concentrar em aula, desenvolver baixa autoestima e não conseguir desenvolver seu potencial escolar”, diz a pediatra.
Mostrar ao estudante que é preciso aprender, se desenvolver e, claro, ter boas notas, é algo natural. Mas se houver pressão familiar, para que o aluno tenha um bom desempenho escolar, também pode causar problemas sérios. “A família observa o mundo em desenvolvimento e vem buscando cada vez mais uma preparação do filho para a disputa do mercado de trabalho. Desde berçários trilíngues até iniciação profissional precoce”, explica o psicólogo. Ele diz que, muitas vezes, a família gera expectativas que podem exigir a saúde mental do jovem.
A pediatra diz que a cobrança excessiva piora os quadros de ansiedade e a criança/adolescente não consegue se concentrar, logo, não estuda adequadamente. “(Aluno) enxerga a escola como um local que traz sensações ruins, é como se aprender não importasse desde que passe de ano”, explica. Segundo ela, perde-se o prazer em aprender. 
Entre os sinais que pais ou responsáveis e professores devem levar em conta para saber se a criança ou jovem pode estar entrando em estado de ansiedade, Correia destaca cansaço excessivo, irritabilidade, isolamento social, medos aparentemente sem fundamento, mudanças bruscas de comportamentos e choros aparentemente sem motivos.
Fabíola diz que, ao perceber qualquer coisa suspeita, os responsáveis devem levar a criança ou jovem ao pediatra para que se investigue doenças orgânicas e, em seguida, se preciso, indicar acompanhamento psicológico. “São necessários romper a barreira do preconceito e buscar ajuda profissional. Psicólogo e psiquiatra são essenciais no combate dos sintomas e das causas desses transtornos”, reforça o psicólogo. “Aos jovens, peçam ajuda! Comuniquem os pais, amigos, professores, escrevam cartas, bilhetes, mandem WhatsApp falando dos seus medos e angústias”, encerra Correia.



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