IDEIAS SUSTENTÁVEIS

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Yasmin Assagra

 MEIO AMBIENTE

 
IDEIAS SUSTENTÁVEIS
 
Driblando a crise e de olho na preservação do meio ambiente, novos produtos e serviços ecológicos surgem como nicho de mercado
 
 
Prezar pela sustentabilidade tem sido o Norte da maioria das empresas que começaram há pouco a funcionar no Brasil. E uma das opções, até por causa do alerta dos ambientalistas, tem sido a substituição dos canudos de plástico, itens que se tornaram ameaça para o meio ambiente, até pelo descarte, que, por muitas vezes, chegam ao mar e acabam afetando a vida dos animais deste habitat. De  olho nessa tendência, empreendedores se antecipam à obrigatoriedade e passam a comercializar objetos sustentáveis, entre eles os canudos ecológicos. 
E foi durante uma pesquisa na Califórnia, em 2017, que Douglas Negrisolli, 34 anos, de Santo André, percebeu que faltavam produtos no mercado daqui que ajudassem a eliminar os canudos de plástico de circulação em restaurantes, bares e comércios. À época percebeu que esse movimento já estava muito forte no Exterior e refletiu sobre essa oportunidade na carreira. “Nesse período pude pensar em como oferecer saídas sustentáveis para o comércio. Isso era e ainda é necessário pensar todos os dias”, comenta.
O empreendedor observou que poderia trabalhar de forma acessível e sustentável com os canudos ecológicos. Os de papel, utilizados há anos no Brasil, segundo o empresário, custam caro e pouco ajudam a natureza. Da iniciativa nasceu a Só Canudos, de Santo André, que possui uma loja virtual para venda no atacado e varejo de canudos de metal e kits, com escovas para limpar os canudos, uma case para guardá-los, além dos produtos biodegradáveis. “Deu supercerto e começamos a vender para o Brasil inteiro. A demanda é muito alta e o custo-benefício vale muito”, pontua. 
E ele não foi o único a enxergar oportunidade no mercado. No início do ano passado, a H.Ecoou nasceu de uma conversa entre os amigos Rogério, Rodrigo, Fernanda e Carol e, inspirados pela ideia de que ‘a vida é o eco das suas atitudes’, decidiram criar uma alternativa ecológica e feita exclusivamente de um material que não é nocivo ao meio ambiente: o vidro. 
Na contramão do plástico e de outros materiais, elepode ser reciclado mantendo sua qualidade. A escolha foi facilmente colocada em prática por causa da fábrica de vidros que um dos sócios já administrava. Hoje, a H.eccou é um e-commerce que apresenta em seu catálogo produtos para venda no varejo e atacado. “Juntamos nossas ideias e deu certo. Percebemos que existia uma grande oportunidade de negócios atual e nosso crescimento, desde então, foi muito positivo”, comenta Rogério Gonzalez, 33 anos, sócio e um dos fundadores da empresa.
Para criação do canudo foi necessária a introdução também de um processo totalmente artesanal, que arredonda as pontas e mantém a espessura correta. “Hoje trabalhamos apenas com a loja virtual, mas temos alguns clientes que compram com a gente para revender em suas lojas físicas. O que observamos também são as empresas que adquirem em grande quantidade para brindes, mas nosso público-alvo são as pessoas físicas mesmo”, ressalta o proprietário. Atualmente, a empresa apresenta um crescimento de 50% nas vendas, desde que começaram o empreendimento. “Além de ser uma iniciativa sustentável, é diferente no mercado”, finaliza Rogério. 
 
 
 
De acordo com a professora e pesquisadora na escola da saúde na USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Marcondes, trabalhar com a criatividade das pessoas retoma alguns conceitos importantes e novos nichos de mercado aparecem. “Criar ideias sustentáveis e tecnológicas já é um diferencial. Precisamos estimular essa mudança de hábito nas pessoas. Ou entramos em um colapso ambiental ou começamos a criar mecanismos para que isso não aconteça”, ressalta.
Pesquisa sobre os profissionais no desenvolvimento sustentável realizada em 2017 pela Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável) indica que o motivo de os profissionais atuarem na área de sustentabilidade soma 38% no quesito de realização pessoal, seguido de 30% por admiração pelo tema, e retorno financeiro ficando em último lugar, com apenas 1%. 
Para o diretor da Abraps, Márcio Mendes, implementar questões sobre a sustentabilidade nas empresas ou até mesmo abrir o próprio negócio já são realidade. “Estamos vendo muitas movimentações ecológicas no mercado, tanto nacional quando mundial. Nós temos as grandes empresas, por exemplo, anunciando sobre suas embalagens ecológicas. Tudo isso é muito importante”, conta. Além disso, Márcio pontua sobre os novos atuantes no segmento. “Motivadas por startups (empresa recém-criada ainda em fase de desenvolvimento que é normalmente de base tecnológica), empresas recentes já possuem um outro tipo de visão. Geralmente, pensam em abrir um negócio com alguma ideia para resolver um problema humano. Então, a sustentabilidade já está incluída desde o planejamento”, comenta. É importante, acrescenta, difundir o que está sendo feito e quais são os objetivos. “É fundamental comunicar sobre as atividades da sua empresa. O que está fazendo e o impacto disso para a sustentabilidade. Traz credibilidade e transparência”, finaliza. 



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