Revolução dos cravos

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Miriam Gimenes

Portugal viveu uma das ditaduras mais duradouras da história da humanidade. O golpe militar foi dado em 1926 e, seis anos depois, o país ganhou um primeiro-ministro das finanças,  Antônio de Oliveira Salazar, ditador que instalou regime inspirado no fascismo italiano e só saiu do poder 36 anos depois, quando sofreu derrame.  Problemas econômicos e a guerra colonial causaram descontentamento na população e nas forças armadas, que deram início ao movimento contra a ditadura. 

O auge da revolução se deu no dia 25 de abril de 1974, quando os descontentes foram às ruas e o então primeiro-ministro Marcelo Caetano foi deposto – e fugiu para o Brasil, que também vivia uma ditadura. A presidência foi assumida pelo general António de Spínola. Como forma de comemorar o fim do regime ditatorial, a população foi às ruas e distribuiu cravos, flor símbolo do país, aos soldados rebeldes, como forma de agradecimento. Ao movimento deu-se o nome de ‘revolução dos cravos’. Nada mais simbólico para os dias de hoje. 

E é assim que eu quero que receba, leitor, a edição deste mês: como uma flor em oferecimento. Sim, porque inicio com ela minha trajetória enquanto editora desta publicação e espero que seja a primeira de um jardim florido, que, além das notícias factuais a que estamos acostumados a dar e receber diariamente, também seja fonte de informação, divertimento, descontração e, principalmente, emoção. Porque nada melhor do que este sentimento – regado de amor – para guardar, para sempre, o que nos é oferecido no coração.

E para esta ‘estreia’ nada melhor do que a atriz andreense Letícia Colin para ilustrar a capa desta edição. Ela, que desponta na novela das 21h da Rede Globo na pele de Rosa – olha outra flor aí – como uma das melhores atrizes de sua geração, começou suas primeiras interpretações aqui na região, da qual guarda suas melhores lembranças.  “Me lembro do Shopping ABC, da Prefeitura (de Santo André), que tinha uma praça que a gente ia quando tinha eventos, para andar de bicicleta. Fazia basquete na escolinha da Janete, era uma delícia.”

Na matéria especial, a repórter Daniela Pegoraro conversa com especialistas e personagens que falam sobre os padrões de beleza impostos pela sociedade e no que isso acarreta psicologicamente, principalmente entre as mulheres. Aceitar-se, criar autoestima e amar o seu próprio corpo são ‘os cravos’ que podemos distribuir a fim de combater os preconceitos e para que pessoas não percam a vida para manter uma silhueta dita ‘perfeita.’ Perfeição é estar viva, ter saúde e ser feliz. E, em perfil, confira toda a simplicidade do cantor Gabriel Sater, que se apresenta este mês em Santo André. 

No Papo de Cozinha, veja de que maneira os pequenos – que têm um dia especial este mês – podem iniciar as atividades na cozinha a fim de distribuírem amor em forma de iguarias. Em tempo em que o ódio é disseminado por diversas frentes – e alguns clamam a volta da ditadura –,  solidificar este sentimento é a forma mais eficaz para combatê-lo. 

 

Boa leitura!
Miriam Gimenes
miriamgimenes@dgabc.com.br

 




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