Rock in Rio está aí

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Vinícius Castelli

 História que começou em 1985, mais precisamente em janeiro, do dia 11 ao 21, o Rock in Rio é hoje, sem sombra de dúvidas, um dos maiores – se não o maior – festivais de música do mundo. Só na estreia passaram por seu palco nomes como Queen, Ozzy Osbourne, AC/DC e Whitesnake, todos no auge das carreiras. Mais tarde vieram Judas Priest, Metallica, Sepultura, A-ha, Ivete Sangalo, George Michael, Cássia Eller, Britney Spears e Beyoncé, fazendo do festival, definitivamente, algo para todas as vertentes musicais.

Agora o evento chega à sua sétima edição no Brasil – no total, contado as outras cidades do mundo, já foram 17 Rock in Rio –, e os sete palcos montados na Cidade do Rock, no Parque Olímpico da Barra, receberão amanhã, sábado e domingo, e nos dias 21, 22, 23 e 24, artistas como Lady Gaga, Pet Shop Boys (ambos sexta), Justin Timberlake (domingo), Bon Jovi (22), Guns N’ Roses (23), The Offspring (24) e o veterano The Who (23), liderado pelo cantor Roger Daltrey e pelo guitarrista Pete Townshend, entre vários outros nomes.

Para o jornalista, produtor musical e compositor Nelson Motta – que ensina como fazer festival de música na web-série <CF51>U. Rock, a Universidade do Rock</CF>, disponível no YouTube (<CF51>skybrasil</CF>) –, o Rock in Rio foi divisor de águas quando se fala do cenário musical do País. “O mundo já vivia a era do rock desde Woodstock em 1969, mas o Brasil vivia ditadura com censura ‘braba’ e rock nessas condições não é possível. Na virada dos anos 1980, com o fim da ditadura, é que o rock cresceu e se tornou um movimento no Brasil que teve seu ponto máximo no Rock In Rio 1985”, afirma.

Júlia Andreata Moro, 25 anos, de São Bernardo, teve, ou tentou ter, sua primeira experiência com o festival aos 8, em 2001. Foi com os pais e os irmãos Caio e Túlio, à época com 12 e 7 anos. “Meus pais sempre gostaram de festivais e queriam levar meus irmãos e eu para conhecer o Rio de Janeiro”, diz ela, que é filha do baterista Cláudio Baeta. Mas na hora dos espetáculos, a então pequenina Júlia dormiu e acabou ficando com a mãe.

Em 2015 a família teve outra experiência com o festival. Caio tem uma banda chamada Capela, da qual seu pai faz parte. Em 2015 o grupo ganhou concurso e foi selecionado para tocar no Rock in Rio. “Essa seletiva foi em agosto e desde então ficamos contando os dias. Fomos em caravana para o Rio, mais ou menos umas 15 pessoas aqui de São Bernardo, entre familiares e amigos”, recorda Júlia.

Ela se lembra que, como a banda de seu irmão tocaria pela tarde, saíram cedo para pegar a fila e serem um dos primeiros a entrar na Cidade do Rock e poder ficar coladinhos na grade. “Quando você entra, o local é simplesmente gigante, e vem à cabeça todos os artistas que já passaram por ali. É incrível a atmosfera e tudo que eles recriam naquele lugar. Não tem muitas palavras para descrever as sensações de ter assistido a esse show, passa tão rápido que parece que foi sonho”, diz ela.

Para Caio, o Rock In Rio era algo que parecia que nunca ia acontecer. “Quando fui a primeira vez estava começando a tocar violão”, diz. Para ele, tocar lá era algo inalcançável, “e, antes dos 30 anos, ter passado por um palco lá, e ainda mais legal por ter sido por mérito, foi muito especial”, diz.

Saara Paiva, 23, de São Bernardo, esteve no evento pela primeira vez em 2015. Foi com três amigas para ver o norueguês A-ha. “O show deles foi maravilhoso. Apesar de terem parado de tocar por muito tempo, eles ainda tinham muita presença de palco e a performance deles deixou eu e as minhas amigas felizes. O único inconveniente é que muitos dos fãs que estavam ali por outras bandas não respeitaram todos os artistas. Me lembro de ouvir pessoas falarem mal de uma cantora que se apresentou logo no começo, pois ela não depilava as axilas. Também ficavam reclamando, dizendo que queriam que o show do A-ha acabasse logo para que o show da Katy Perry começasse o quanto antes. Fora isso, não tenho do que reclamar do evento”. Ela volta agora. “A banda que mais quero ver é Tears For Fears, porque nunca fui a um show deles e é um grupo que raramente aparece por aqui.”

Silvio Alemão, 51, contrabaixista da banda andreense Irmandade do Blues, também estará presente, mas a trabalho. Ele, aliás, participou em 2011, 2013, 2015, sempre na labuta, como coordenador de backline (equipamentos e instrumentos musicais locados para o festival). Ele conta que, apesar da correria diária para que tudo dê certo, vive momentos importantes e engraçados no evento. Na ultima edição, viu um senhor grisalho, alto, entrar perdido na área dos camarins, procurando pelo filho dele. “Quando o reconheci, falei: ‘<CS10.2>Me desculpe, até agora já esbarrei no Elton John, levei toalha para o Rod Stewart, ajudei o Al Jarreau subir ao palco em cadeira de rodas, mas a nenhum desses tive a necessidade de pedir autógrafo, selfie. Mas o senhor não me escapa’”. Foi então que trouxe para casa uma credencial do Rock in Rio autografada por Eduardo Suplicy, que procurava pelo filho Supla.

O artista da região também guarda com carinho o momento em que viu a passagem de som da cantora Baby do Brasil com o guitarrista Pepeu Gomes – ambos criadores do grupo Novos Baianos – em 2015. “Esse show eu queria ter visto, pela importância histórica no rock brasileiro.”

CASAMENTO
Sete casais oficializarão sua união no Rock in Rio deste ano. As pessoas foram escolhidas a partir do concurso Eu Vou Casar no Rock In Rio. E um deles é de Mauá. Cecí Romera, 29 anos, e Marina de Assis, 25 anos, se casarão em capela montada na Cidade do Rock com juiz de paz. O evento será realizado amanhã.

Cecí já esteve no evento, mas sua parceira fará sua estreia. “Estamos a mil. Demorou um pouco para cair a ficha de que faltavam poucos dias, as pessoas nos questionavam”, diz. Mas agora que falta pouco e os detalhes precisam ser finalizados, ela confessa que está dando ansiedade, “aquela vontade louca de que chegue o horário de subir ao altar”, diz. Ela confessa que amaria se Lady Gaga – que canta na mesma data – as chamasse para subir ao palco em momento tão importante. Até o fechamento desta edição havia poucos ingressos disponíveis para amanhã apenas. Os preços vão de R$ 227 a R$ 455 (www.ingresso.com). Mais informações sobre o evento podem ser obtidas por meio do site www.rockinrio.com.

Aplicativo dá uma ‘mão’ na hora dos shows
Quem quiser ficar antenado com tudo o que acontece na Cidade no Rock nos dias do festival pode contar com a ajuda do aplicativo oficial Rock In Rio. O usuário terá acesso a toda a programação do evento e pode criar roteiro do que deseja assistir, para não perder absolutamente nada. O aplicativo oferece ainda mapa interativo do local com todos os pontos da Cidade do Rock. Para quem se interessar é possível fazer o download para os sistemas operacionais Android e iOS.

Quem não vai também pode curtir todas as atrações
O Multishow tem boas novas para quem quer assistir aos shows da sétima edição brasileira do Rock in Rio, mas não poderá estar na Cidade Maravilhosa. A emissora terá, pela primeira vez, estúdio montado no meio da pista do Palco Mundo. Tudo será transmitido ao vivo no YouTube do canal, na TV e plataforma Multishow Play.
Os telespectadores poderão acompanhar desde a abertura dos portões até o encerramento do último show.




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