Arte que corre nas veias

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Vanessa Soares Oliveira

Quando se está diante de uma obra de arte, conhecer o processo criativo e os sentimentos do artista faz total diferença na apreciação. O intuito do criador sempre é transmitir algo que está dentro de si, que integra sua essência e que ele deseja que seja compreendido.

Dener de Sousa, 39 anos, de Mauá, tem alma de artista. Não se lembra quando, onde ou como se deu conta de que nasceu para isso, mas sempre caminhou de mãos dadas com essa convicção. “É difícil dizer quando a arte entrou na minha vida. Parece algo tão comum como respirar. Veio naturalmente. Desde criança sempre tive facilidade para desenvolver projetos na escola, já me imaginava trabalhando com isso. Mas não nasci pronto. Fui buscando informação técnica e, no decorrer dos anos, me aprimorei”, explica.

Sousa começou personalizando itens, como capacetes, retrovisores, carros, motos, bicicletas, além de fazer ilustrações em muros, paredes, portões de comércios e empresas. “Fiz muitos anos de prestação de serviço, mas chegou um período em que quis me dedicar a algo mais autoral”, relembra.

Foi em 2013, quando participou do Mapa Cultural Paulista – programa da Secretaria da Cultura do governo do Estado, que tem como principal objetivo fomentar a produção independente – que o mauaense enxergou em objetos recicláveis a oportunidade de expressar aquilo que existia dentro dele e deu início à série de ressignificação de peças. “Posso pegar objetos que não têm valor nenhum e mostrar que, por meio da arte, a gente pode transformá-los. Foi com esse intuito que comecei essa produção”, conta.

Sousa utiliza em suas obras a aerografia (pintura e ilustração semelhantes ao grafite, mas que usam aerógrafos para sua execução). “Vi que a técnica me dava inúmeras possibilidades. Aos 18 anos montei meu estúdio e, de lá para cá, venho trabalhando só com isso. É o que me mantém”, comenta.

Na série que vem produzindo com recicláveis, o mauaense tem buscado, entre outras coisas, representar o negro, utilizando nas peças a cor da pele, por exemplo. “Parece que os próprios negros nunca se projetaram como artistas por não terem referências. É algo que a gente nem sonha. Então, venho tentando encontrar similaridades, pessoas para me inspirar. Tento trazer essa mensagem de que somos capazes, de que não somos diferentes. Temos sentimentos, podemos nos expressar e nos retratarmos em telas, obras. Essa é uma das vertentes às quais tento abarcar”, acrescenta.

Para o futuro, Sousa sonha com seu trabalho reconhecido. “Desejo também ter estabilidade e conseguir viver dignamente da arte”, finaliza. Quer conhecer o trabalho dele? Acesse sua página no Facebook (Dener de Sousa 1000 Artes).




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