A simplicidade no enxergar o outro

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Vinícius Castelli

Filha de assistente social, Caroline Rocha, primeira-dama de Diadema, carrega no sangue o dom de fazer a diferença
 
Caroline Rocha parece ser a pessoa certa para o lugar certo. Dona de uma simplicidade que em nada apaga sua elegância. Ao contrário. a primeira-dama de Diadema, quando fala em ajudar, pensar no próximo, enche o peito de ar e o rosto de alegria. Filha de Regina, assistente social ainda em atividade, ela prima pelo olhar humano em seu ofício. Para Caroline, ajudar alguém vai muito além de desenvolver uma oficina no Fundo Social de Solidariedade, local que é de sua responsabilidade. “Vejo isso como algo muito importante na vida das pessoas. Não é só questão de 'ajudar uma instituição no sentido financeiro', é ter, às vezes, meia hora do seu tempo para dedicar uma leitura a alguém, fazer uma visita, ouvir um pouquinho. As pessoas querem ser ouvidas.”
 
 
Aos 33 anos, a libriana nascida em 12 de outubro ocupa o cargo pela segunda vez. Seu marido, Lauro Michels (PV), hoje no segundo mandato como homem de frente do Paço, foi prefeito também de 2013 a 2016. É em uma casinha acolhedora e florida, em frente à Prefeitura (na Rua Almirante Barroso), que funciona o Fundo Social de Solidariedade da cidade. Ela, aliás, é responsável pelo ressurgimento dos trabalhos sociais junto ao fundo, assunto que já vinha sendo discutido com Lauro mesmo antes de ele ser eleito pela primeira vez. Segundo a primeira-dama, o serviço havia sido extinto na década de 1980 e os trâmites para sua volta foram feitos em 2013. “A gente iniciou as atividades em 2014, não existia mais. Começamos mesmo do zero e ele foi ganhando corpo”, explica.
 
Nesses pouco mais de três anos de trabalho, a bagagem só aumenta. “Essa é a grande vantagem. A gente conseguiu não só estrutura de recursos, e até um aporte financeiro, mas a ajuda de pessoas que começaram a ver o resultado das atividades que desempenhavam”, diz. No caso das oficinas de maquiagem e depilação, ela conta que o feedback é muito positivo. Muita gente que estava fora do mercado de trabalho há anos, por ter de cuidar dos filhos ou alguma outra necessidade, se viu em situação financeira apertada. Depois de passar pelas oficinas, todas certificadas, as pessoas retornam e contam dos passos que deram adiante, abrindo salões, retomando, ainda que aos poucos, a vida financeira. Desde 2013, o Fundo Social formou até agora cerca de 3 mil alunos.
 
No Fundo Social, Caroline é sempre presente. Como referência de trabalho, cita Dona Lu, primeira-dama do Estado, e lembra do legado de Lila Covas, viúva do ex-governador Mário Covas. Fala com gosto de projetos como o Diademais Saúde, que acontece no Parque do Paço e oferece gratuitamente terapias complementares, como acupuntura auricular, reiki, aromaterapia, florais de Bach e quick massage. Tudo totalmente custeado pelo fundo. “Não é um projeto tão simples, precisa de aporte maior, apoio do Estado ou do Ministério da Saúde, que é o que vamos buscar agora para executar e desenvolver em outros locais”, conta ela. A Padaria Artesanal é outro projeto muito querido. Além dela, hoje no município também é possível encontrar cursos profissionalizantes de Assistente de Cabeleireiro, Bordado em Pedraria, Depilação e Design de Sobrancelhas, Manicure e Pedicure, e Maquiagem.
 
Em família
 
Mãe de duas meninas, Giovana, 7, e Vitória, que vai fazer 3, Caroline, apesar da agenda para lá de corrida, faz questão de preservar alguns hábitos, como levar e buscar as crianças todos os dias na escola. Salvo uma exceção ou outra, mas daí o pai se encarrega do assunto. “O negócio delas é brincar, curtir. Correm demais, pulam e a gente tenta fazer muita atividade ao ar livre, elas gostam bastante. É brincar de pega-pega, andar de bicicleta, patins. Quando tem esse tempo, principalmente fim de semana, a gente aproveita. E durante a semana acabam ficando na escola o dia todo. A rotina é puxadinha para elas também”, diz Caroline.
 
 
As duas filhas entraram cedo na colégio. Uma com 9 meses e a outra um pouco mais tarde. Mas, segundo a primeira-dama, elas gostam. As duas também fazem natação. “Já tem uma sereia em casa”, diz Caroline, sobre Giovana. “A mais velha nem me preocupo mais. Nada bonitinho. Se ela quiser, acho que vai bem. Outro dia assisti à aula e tinha crianças um pouco mais velhas. Ela saiu depois e chegou na frente”, conta orgulhosa. Caroline diz ser tranquila em relação ao que as filhas decidirem para o futuro. Para ela, as pequenas têm de ter liberdade de escolha. “Cabe a nós, enquanto pais, orientar”, diz. “Se quiser ouvir a opinião do que a gente acha que é uma profissão do futuro, é válido, mas são elas que vão decidir. Até porque, às vezes, a gente decide, mas segue outro caminho”, diz a veterinária por formação.
 
E ela sabe da importância incondicional dos pais na formação de um filho. O que aprendeu ao longo da vida, ao lado da mãe desde criança nas entidades sociais do município, passa para as filhas. “Meus pais são funcionários públicos. Minha mãe é assistente social, então sempre estive no meio das entidades, algumas mais antigas, como Lar São José e Obra Social São Francisco Xavier. Em todos os eventos estava presente, desde pequenininha, ajudando”, conta. E acrescenta. “A partir do momento em que a gente se envolve em causas sociais, que faz trabalho voluntário, cuida muito do equilíbrio de dar e receber.”
 
Não faltam exemplos para confirmar o que diz. Em julho fizeram um jantar, pelo Fundo Social, e a arrumação começou um dia antes. “Busquei minhas filhas na escola mais cedo e elas foram ajudar, se sentem supersatisfeitas. Arrumaram as mesas, separaram as coisas”. Giovana, sempre que pode, comparece. Segundo a mãe, tem sábado em que a pequena vai para a barraca ajudar a vender, recepcionar. A outra é mais nova e os pais acabam deixando em casa nessas situações. “Muito serelepe para deixar solta. As duas são muito enérgicas, bastante ativas, graças a Deus”, revela a mãe orgulhosa.
 
 
Caroline conta que sua mãe, Regina, também adora participar dos assuntos junto ao Fundo Social. Ela apresenta muitas ideias e a primeira-dama tem de 'colocar a mãe no chão'. “Eu falo: 'Calma, primeiro vamos buscar recurso, ver quanto custa'”, diverte-se. Ela faz isso porque é pé no chão. Acredita que com Educação e Cultura tudo pode melhorar no Brasil. A primeira-dama é daquelas que, antes de executar, planejam, traçam metas. “Costumo pensar bastante”, afirma. Mas nem por isso deixa de sonhar. “Mas aí é meta, objetivo. Me dou um tempo para alcançar, realizar. Só trabalho com planejamento. Gosto de escrever mesmo, eu desenho. Coloco no papel e é o que me ajuda a pensar”, revela.
 
Fora das atividades do Paço, Caroline não é diferente. Tranquila, de fala mansa e serena, diz que, quando sobra tempo, algo raro ultimamente, gosta de ir à praia. “Depois que a pessoa vira mãe, o tempo sozinha praticamente não existe. E se não está junto, está pensando, se ficou tudo organizado, se tem comida”, diz. Mesmo assim, ao menos de 15 em 15 dias tenta ir ao Litoral com a família. Ela gosta de sentir a natureza, de colocar os pés na areia. Segundo ela, se trata de renovação. “A gente organiza as agendas para ter o fim de semana livre. Temos bastante amigos lá. É um momento de encontro, de descontração, de sair um pouco da política e cultivar as amizades.”
 
O tempo em família, para ela, é algo realmente fundamental. Caroline sempre acorda às 5h45 para cudar da arrumação das filhas para a escola. “Tento fazer uma meia hora, 40 minutos de atividade física, pelo menos, por três vezes na semana.” Quando está sozinha, gosta de ler e de ouvir música. Jura que relaxa. Se teve um dia tranquilo vai de MPB, mas se a jornada foi mais 'pilhada', daí escolhe rock. Garante ser bem eclética. “Depois venho para cá (Prefeitura) e fico até o fim do dia. Busco elas na escola, chego em casa e dou banho em todo mundo.” Às vezes, a política acaba entrando na pauta também em casa. Afinal, esse assunto é parte importante na vida do casal. “A gente tenta evitar falar de assuntos que não dependam só da gente”, conta. Mas para sua família a hora do jantar é sagrada. É a hora de perguntar do dia das filhas, de programar o fim de semana.
 
Caroline e Lauro Michels se conheceram na adolescência. Tiveram um namoro curto, de poucos meses. Anos mais tarde se reencontraram em casamentos de amigos em comum por três vezes. Na última, com ambos solteiros, foram ao cinema, se reaproximaram e estão juntos há 14 anos e casados há nove. “Estou com Lauro desde antes de ele ser vereador”, diz ela. Desde o começo o acompanha e ajuda nas atividades. Para ela, casamento é cumplicidade e é isso o que conta fazer. “Ele costuma me ouvir bastante. Sou ponderada e tento ver o outro lado. Analiso a coisa sob a ótica de quem está fazendo e de quem vai ver. Costumo passar essas opiniões. E também nas decisões que tenho de tomar, quero seguir por esse caminho, o que você acha. É tentar dividir. No casamento a gente acaba sendo parceiro e conselheiro”, conta.
 
A primeira-dama de Diadema se diz realizada. É uma pessoa feliz e de bem com a vida. Não pensa em disputar um cargo eletivo. Acha que onde está hoje acaba contribuindo bastante. “De certa forma, pelo Fundo Social, sempre estive aqui dentro do gabinete, então a gente se envolve muito com as outras Pastas. Na hora de desenvolver projetos, de fazer essa articulação, nesse aspecto contribuo bastante. Não vejo que num cargo eletivo poderia trazer mais benefícios”, diz. Caroline sabe que a partir de 2021 (quando termina o mandato de Lauro Michels como prefeito) sentirá muita falta de tudo o que faz. “Com certeza vou ter de buscar uma outra opção”. Ser voluntária é algo que ela definitivamente seguirá sendo.
 



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