Tocantins intocado

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Marcela Munhoz

Em 5 de outubro de 1988, o Norte de Goiás foi emancipado, passando a se chamar Tocantins e, em 1º de janeiro de 1989, o novo Estado foi oficialmente instalado. Com só quase 30 anos de vida, a região – que abriga perto de 300 mil habitantes – está se revelando para o mundo, principalmente quando se trata de turismo. Aos poucos, ainda tímidos, os visitantes estão chegando e descobrindo suas belas paisagens e rica cultura. A gestão está sentindo, e muito, a diferença.

“O número de procura dos turistas cresceu de 2012 para 2013, 12%; no ano seguinte, foram 20%; depois 27%; e, em 2016, registramos 30%”, conta James Possapp, superintendente do Desenvolvimento Turístico de Tocantins. Os motivos? Vários, segundo ele. A começar pela localização estratégica do Estado. “Fica bem na transição de biomas, da Amazônia com o Cerrado, formando ambiente único com espécies que só é possível encontrar por aqui”.

Aliás, Tocantins – nome do rio – vem da junção dos termos tukana (tucanos) e tim> (bicos), fazendo referência à tribo que habitava o local e também à variada fauna e flora da área. “A observação de pássaros é uma das nossas apostas”, revela Possapp. O estado também tem água de forma abundante, com centenas de nascentes, cachoeiras e lagos, que permitem além da contemplação e de poder se refrescar durante os dias de sol forte, a prática de atividades radicais, como o rafting e trilhas. Tanto que o local oferece o ecoturismo e o de aventura – os amantes de bicicleta estão descobrindo o Estado. “Só de lago são 836 que se comunicam e formam berçários naturais de peixes”, emenda o superintendente.

É o Cantão (Araguacema, Caseara, Lagoa da Confusão e Pium) que oferece tudo isso. A região integra ainda a APA (Área de Proteção Ambiental) da Ilha do Bananal (maior ilha fluvial do mundo), os parques do Cantão, Nacional do Araguaia e Indígena do Araguaia, formado pelas etnias Karajá e Javaés. Visitas as tribos indígenas e quilombolas estão começando a entrar no roteiro. “Este é um trabalho mais longo a ser feito, de acompanhamento”, pontua Possapp.

Além do Cantão, onde fica a praia de Caseara, as ruínas da igreja Nossa Senhora da Divina Providência e o Rio Coco, o destino também tem as Serras Gerais, local do Cânion Encantado; o Bico do Papagaio, lotado de praias de água doce; a capital Palmas, endereço das encantadoras Praia da Graciosa e Ilha do Canela, a Praça dos Girassóis, a segunda maior praça pública do mundo; e, claro, não dá para falar de Tocantins e não tocar no nome do fascinante Jalapão.

A maioria dos atrativos está localizado nas cidades de Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins e São Félix do Tocantins. Não deixe de se esbaldar nas dunas, que chegam a 40 metros de altura, nas cachoeiras da Velha e da Formiga, nos fervedouros e programe para ver um pôr do sol na Serra do Espírito Santo.

“Troquei São Paulo pelo Tocantins”

Os que apostaram no destino juram que encontraram um paraíso quase intocado. Praticamente de um dia para o outro, Fernando Hessel, 41 anos, se viu mudando com a família de São Paulo para Tocantins. Não deu outra: quando teve chance de voltar, não quis deixar Palmas. A qualidade de vida e o contato com a natureza foram determinantes na decisão.

“A cidade é menor do que muitas do Interior paulista, em dez minutos dá para atravessar Palmas, temos um rio enorme à disposição. Além disso, há 50 quilômetros tem uma serra com dezenas de cachoeiras onde, todo ano, acontece festival gastronônimo. Pode-se dizer que é projeto de uma Campos do Jordão, com clima mais ameno. É fantástico.”

Entre os outros atrativos oferecidos pelo estado, está a gastronomia. Como o Tocantins tem a influência goiana, o pequi é ingrediente obrigatório na maioria dos pratos. “Come-se aqui muito arroz e frango com pequi. Fora isso, temos variedade de menus com peixes de rio como o tucunaré e o tambaqui”. Já quando o assunto são as festas, as católicas são as mais tradicionais. “A do Senhor do Bonfim e a do Divino Espírito Santo arrebanham milhares de pessoas. Acontecem por aqui também as cavalgadas.”

Sobre o Jalapão, Hessel dá algumas dicas: “Como a estrutura ainda é bastante simples, é importante reservar pousadas com bastante antecedência. O pior período para visitar é o fim do ano, a partir de setembro. É quando caem as chuvas e como o acesso ao Jalapão é por estradas de terra, fica um pouco mais difícil”. O jornalista também indica de dez a 13 dias para conhecer o Tocantins tranquilamente, aproveitando tudo o que o destino tem a oferecer. “Se fosse eu, ficaria hospedado em Palmas por três dias, dois dias na Ilha do Bananal e quatro dias no Jalapão.”

Cenários perfeitos para novelas

Não é de hoje que o Tocantins também caiu nas graças dos diretores de filmes, séries, programas e novelas. O local já serviu de set para produções como Survivor e Largados e Pelados. A mais recente equipe que se rendeu aos encantos de lá foi a da nova novela das 21h da Globo, O Outro Lado do Paraíso, cuja estreia é em outubro.

A trama de Walcyr Carrasco, com direção artística de Mauro Mendonça Filho e direção geral de André Felipe Binder, gira em torno da chamada Lei do Retorno, crença de que um dia a justiça chega para todos. Bianca Bin e o andreense Sérgio Guizé estarão na novela. Ele é Gael, herdeiro de uma família de Palmas, que passa uns dias de férias no Jalapão.

As gravações, que duraram 20 dias, aconteceram nos municípios de Ponte Alta, São Felix e Mateiros. Pontos turísticos imperdíveis como Pedra Furada, Cânion de Sussuapara, Fervedouro Bela Vista, Cachoeira do Formigas e as veredas do capim dourado, dentro do Parque Estadual do Jalapão, onde foi construído o bar do Josafá, papel de Lima Duarte, fizeram parte da história. “Tentamos explorar da melhor forma possível a fotografia incrível destes lugares únicos. O Jalapão tem um dos pores do sol mais lindos que já vi”, reforça Mauro Mendonça Filho.

GUIA DE VIAGEM


COMO IR
Há voos que saem dos dois aeroportos de São Paulo (Congonhas e Cumbica) até o aeroporto de Palmas (Brigadeiro Lysias Rodrigues). O tempo de voo dura quase três horas. É possível encontrar passagens a partir de R$ 354 (Latam), R$ 440 (Gol) e R$ 502 (Azul). Em Palmas, a melhor opção é alugar um carro. O Jalapão fica a 152 quilômetros de lá.

QUANDO IR
De junho a setembro é período de extremo calor, chega aos 43º graus; no fim do ano, é tempo de chuvas por lá.

SAIBA MAIS
Visite o site http://turismo.to.gov.br.




Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2017. Todos os direitos reservados