Dança para despertar ideias e possibilidades

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Vinícius Castelli

Quando a arte vai de encontro aos que não têm, muitas vezes, nem oportunidades, o que se vê é a expansão de pensamentos, ideias e possibilidades. De sonhos até. E é isso o que está acontecendo em algumas escolas estaduais de Ensino Fundamental em Santo André. Quem se encarrega de mostrar um ‘novo mundo’ aos jovens é ninguém menos do que o Ballet Stagium, que hoje soma 46 anos de história. O projeto, Ballet Stagium nas Escolas, é fruto de parceria entre o Sesc, FDE (Fundação Para o Desenvolvimento da Educação) e Programa Escola da Família.

Ontem, os bailarinos, acompanhados pela coreógrafa, diretora e criadora da companhia, Marika Gidali, se apresentaram por duas vezes na EE Padre Aristides Greve, no bairro Camilópolis, para cerca de 1.100 alunos, no total. O que se viu foram olhos atentos e crianças emocionadas aos passos de dez profissionais, que usaram como palco o linólio montado na quadra da escola para apresentar o espetáculo Preludiando.

Segundo Marika, esse trabalho tem enorme importância. “Arte e Educação andam juntas”, diz. E acredita que o jovem pode usar no futuro a sensibilidade que, neste caso, a dança é capaz de despertar.

Antony Santos dos Reis, 16 anos, se emocionou com a obra. “Estava ansioso. Tinha muita coisa acontecendo, com bailarinos na frente, na parte de trás”, diz ele, que afirma dançar o tempo todo. “Danço em casa, na escola, já pensava há um tempo em fazer aulas”, confessa. Beatriz Peliceo Almasa, 16, é outra que se identifica com a arte. Já fez aulas de balé clássico, jazz e sonha seguir adiante. “A dança é algo muito forte para mim. Gosto de me expressar por meio dela”, diz.

Além disso, ambos acreditam que, no caso da dança, é uma forma também de quebrar preconceitos. “Muitos acreditam fortemente em certos estereótipos e a gente vem tentando quebrar isso dentro da escola”, afirma o aluno.

O Ballet Stagium já passou por outras três escolas do município e em todas elas os alunos ficaram atentos, garante Solange Bailão, professora e coordenadora do núcleo pedagógico da Diretoria de Ensino de Santo André. “Na escola Américo Brasiliense foram 1.800 estudantes na plateia. Queremos ampliar os horizontes deles”, explica. “Tem de oferecer leque de opções.”

Maristela de Matos Couto, diretora da EE Padre Aristides Greve, acredita que a presença da Cultura faz toda a diferença na vida das pessoas. “É uma realidade (da dança) que muita gente não tem e a escola tem de dar essa oportunidade.”

Ao fim da apresentação, Marika pediu para que Antony e Beatriz mostrassem o que sabem de dança para ela e, em seguida, fez o convite para que conheçam a escola. “Mas tem de se dedicar”, avisa.“Se de todas essas pessoas, a dança tocar uma, já valeu a pena. Mas garanto que toca muito mais”, encerra Marika.

O Ballet Stagium ainda se apresentará, dia 22, na EE Senador João Galeão Carvalhal e, no dia seguinte, para os alunos da EE Padre Agnaldo Sebastião Vieira.




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