Casa do hip hop de São Bernardo passa por problemas

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Vinícius Castelli

 Um lugarzinho situado na Avenida Senador Vergueiro, em São Bernardo, cujo foco é voltado para as atividades culturais, pode ter de fechar as portas pouco depois de comemorar quatro anos de atividades. Inaugurada no dia 2 de agosto de 2013, a Casa do Hip Hop da cidade passa por problemas e cerca de 150 jovens, de acordo com a administração do espaço, podem ficar sem as oficinas que o local oferece.

Segundo Luis Carvalho, 49 anos, coordenador de programas educacionais do local, que é dirigido pela ONG Instituto Cultural e Educacional Fazendo o Bem, a Casa recebeu notificação no dia 6 de junho informando sobre a revogação do decreto de uso. A entidade contestou o Paço, mas, no dia 28 de julho, a Prefeitura enviou resposta com o indeferimento da solicitação e da necessidade da desocupação imediata, pois o espaço está, segundo a nota, ocupado de forma irregular.

Carvalho explica que nenhum representante da Instituição recebeu convite para conversar. “Ninguém perguntou das oficinas, até para que pudéssemos criar calendário para essa desocupação”. Ele reafirma que o poder público nunca os chamou para saber o que fazem nem para se informar sobre o que oferecem.

A ONG que coordena o local entrou com recurso na 2ª Vara da Fazenda Pública da cidade, que determinou audiência para o dia 16. A Prefeitura, até ontem, não havia sido notificada a respeito. Segundo um dos advogados que cuidam do caso, Dr. Epaminondas Gomes, o que o Instituto espera é fazer transição amigável e que os cursos em andamento possam ser terminados, com previsão para o primeiro semestre de 2018. “Com o compromisso de não abrir novas turmas”, afirma.

Em resposta aos questionamentos sobre a Casa do Hip Hop, a Prefeitura de São Bernardo esclarece, por meio de nota, que em maio deste ano foi revogado o uso de permissão da entidade Fazendo o Bem, responsável pela gestão do local, porque “não houve prestação dos recursos utilizados e foi comprovada falta de atividades regulares.”

Segundo o Paço, a entidade, inclusive, não teve a prestação de contas aprovada pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado), gerando assim proibição no repasse e recebimento de verbas. A Prefeitura alega ainda que, em determinadas oportunidades, enviou equipes ao local para vistoriar a atual situação, mas em todas elas – documentadas, segundo o comunicado – o mesmo encontrava-se fechado com cadeado. “Os pertences serão recolhidos e averiguados sobre sua procedência e a proposta de Casa do Hip Hop será estudada pela administração”, diz a nota.

Já Carvalho afirma que a Casa do Hip Hop sempre funcionou normalmente. “Estamos abertos das 9h às 17h e, depois, das 19h às 22h”. O coordenador se preocupa com a interrupção das oficinas. “Temos cursos em andamento”. Um deles, de Elaboração de Projetos SocioCulturais, inclusive, com início marcado para anteontem, mas, por conta desses problemas, não foi iniciado. “Há um trabalho social também”, diz o coordenador, como doação de roupas para o Fundo Social de Solidariedade da cidade. Segundo Carvalho, foram entregues em junho mais de 10 mil peças.

Para José Ferreira, 69, do conselho fiscal do local, se eles estão lá por concessão, parte-se do princípio de que estão legalizados. “Entendemos que não somos proprietários do espaço, mas merecemos o mínimo de respeito pelo trabalho feito com a sociedade de São Bernardo”, opina.

Outro fator que preocupa Carvalho é o acervo do local, que conta com livros, vitrolas, gramofone e pinturas feitas pelo rapper norte-americano Afrika Bambaataa. Segundo ele, há o medo de que algo se perca ou seja danificado caso tenham de sair rapidamente. Por isso, colocou o que deu em uma van. “Esse acervo foi construído por nós ao longo dos anos”, diz.

Vinicius Ferraz, 29, um dos alunos das aulas de DJ, diz que a Casa do Hip Hop é 100% importante para os jovens. “As oficinas de música transformam a criança. Tem frequentadores com problemas, com pais separados”, explica ele.

A casa já recebeu convidados como Thaíde, o norte-americano Afrika Bambaataa e KL Jay, do grupo Racionais MC’s. Carvalho frisa também a passagem de Joseph Jackson, pai do cantor norte-americano Michael Jackson, que sugeriu uma parceria com o local, algo que, segundo Carvalho, ainda está em andamento. Ele garante que, mesmo que tenham de sair de onde estão, o trabalho vai continuar.




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