Poder de escolha

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Miriam Gimenes

Evento promovido bimestralmente pelo Sesc São Caetano incentiva o empoderamento na cozinha e fala sobre benefícios do arroz.

O hábito de cozinhar, muito comum há alguns anos, virou es­porádico. A correria do dia a dia, às vezes, não permite a dedicação para elaborar uma refeição e opções rápidas, algumas industrializadas, acabam sendo a saída na hora de se alimentar. E foi com o intuito de mudar essa prática que o Sesc São Caetano criou o projeto Cozinhas Empoderadas. Com uma temática diferente a cada dois meses, chefs dão dicas de receitas acessíveis, saborosas, sustentáveis, saudáveis e incentivam, assim, o hábito e a autonomia de escolha para o preparo e consumo de alimentos.

A técnica de programação do Sesc Carla Romano, idealizadora do projeto, diz que o objetivo é difundir informações, trocar experiências e compartilhar boas práticas. “Os alimentos processados, que a gente encontra no supermercado e visam reduzir o nosso tempo de preparação, vão de encontro a uma alimentação rápida, mas que não necessariamente é saudável. São alimentos com conservantes, ficam muito tempo no mercado. O Cozinhas Em­poderadas traz a perspectiva de incentivar o ato de cozinhar, de adquirir produtos frescos (hortaliças, verduras, cereais, alimentos que encontramos na feira) e que a gente tenha prazer neste ato de co­zinhar, entendendo que ele realmente é um empoderamento. O ato de cozinhar é um ato político. O que você escolhe, de onde vem, a opção que você faz no dia a dia interfere em uma cadeia produtiva muito importante. Temos um poder nas mãos que muita gente nem sabe que tem.”

O tema abordado em julho foi a Biodiversidade do Arroz, curso ministrado pelas chefs Daniela Lisboa e Fabiana Sanches, responsáveis pela Escola Brasileira de Ecogastronomia. As duas, que trabalham juntas há três anos, fizeram uma viagem ao universo do cereal, ingrediente tão comum na mesa do brasileiro, mas que carrega muita história, biodiversidade e também sabores.

Segundo Daniela, embora muitos tenham tentado pintar o arroz como vilão, principalmente de quem está de dieta, a realidade não é essa. “O arroz é o terceiro alimento mais consumido do mundo. No Japão é considerado supercurativo, como vai dizer que esse alimento é vilão? Tem uma certa fobia que as pessoas estão criando em torno de alimentos e não é esse o caminho. Consideraria vilões os (alimentos) industrializados, o arroz não é”, diz.

 

As pessoas, segundo Fabiana, estão com fobia do carboidrato. “Estão criminalizando muito e o arroz entrou nessa onda. O carboidrato é importante para o corpo. Temos de focalizar o assunto no que é artificial e o que não é. Quando a indústria fornece arroz, feijão, farinhas, é o melhor do mundo dos industrializados.”

E aí entra o conceito da ecogastronomia, que faz parte do movimento slow food e representa a união entre a ética e o prazer de fazer o alimento. “As pessoas têm de saber que estão cozinhando uma planta e não só ingrediente dentro do pacote. (O arroz) Faz parte de um ecossistema muito mais complexo, é uma planta, alimenta outros seres que não são humanos, passarinhos... Esse é o mundo da ecogastronomia. Por isso, as nossas aulas não ficam com foco na culinária. Elas cozinham com tudo que a gente traz (informações, curiosidades) com um pouco mais de carinho e amorosidade. A comida vai ganhando camadas. Elas não estão comendo só uma receita, estão comendo história”, reflete Fabiana.

Durante o curso, com duração de duas horas ­– o próximo será de hortaliças e verduras, ministrado por outro chef –, além da receita (veja na página ao lado), os participantes conheceram, por exemplo, um pouco da variedade de tipos de arroz existentes, curiosidades, as maneiras de fazê-lo e como aproveitar as sobras, já que todo o processo, na ecogastronomia, é pensado. “A cozinha empoderada é uma das nossas premissas, inclusive de fazer uma cozinha intuitiva, sem receita. As pessoas ficam muito presas. Ensinamos a aprender as proporções e a criar outras formas de fazer a receita, sem ficar preso a um só ingrediente”, diz Daniela.

Comer, para Fabiana, tem de ser prazeroso. “As pessoas estão co­mendo com medo, com culpa e sem paz. A gente trabalha toda ciência que está por trás (do ingrediente). Con­sideramos importante saber tudo antes de escolher o alimento. Trazemos a luz para as pessoas fazerem suas escolhas.” Isso sim é empoderamento.

Curiosidades do arroz

  • É cultivado em 112 países, desde campos de arroz, nos rios, em climas quentes ou frios, em zonas úmidas ou secas.
     
  • Alimenta mais de 3 bilhões de pessoas. A maioria na Ásia, que produz quase 90% do arroz na Terra.
     
  • É o terceiro alimento mais cultivado do mundo, atrás apenas do trigo e do milho.
     
  • Os cinco maiores produtores mundiais de arroz são, por ordem, os países: China, Índia, Indonésia, Bangladesh e Vietnã. O Brasil está em nono lugar.
     
  • É muito usado nas medicinas Chinesa e Ayurvédica.
     
  • Suas propriedades medicinais são antioxidantes, emoliente, esfoliativa, adstringente e refrescante em questões como digestão lenta, doenças gastro-intestinais, melhora da atividade mental, diarreia, hipoglicemia, constipação e Bériberi.
     
  • Excelente fonte de nutrição para pessoas celíacas.
     
  • Qual o melhor tipo de arroz? É o integral, claro.
     
  • Arroz branco: contém carboidrato e sua principal função é fornecer energia. Apesar de ser o mais consumido no Brasil é o menos nutritivo.
     

Mix 7 cereais

Por que não fazer seu próprio arroz 7 cereais? Veja sugestão abaixo:

ingredientes:

50% : arroz integral

50% : seis outras variedades (um pouquinho de cada)

Biodiversidades de Cereais*:

Arroz integral agulhinha e cateto; arroz vermelho/castanho agulhinha e cateto; arroz preto agulhinha e cateto; arroz selvagem; aveia em grão, trigo em grão, centeio, cevada, amaranto, sorgo e painço sem casca. 

Super Tigelinha de Arroz

Ingredientes:

Gordura: Azeite, óleo de girassol, óleo de coco, banha etc.

Aromáticos: Alho, cebola, salsão, cenoura etc.

Cereais: Utilizar o mix de cereais que você preparou em casa (receita na página ao lado).

Fundo aromático: o de sua preferência.

Proteínas: Queijos duros, cogumelos, tofu, carne, frango, porco, miúdos em geral, peixe e frutos do mar.

Vegetais: Sazonais, assados ou grelhados em cubos médios para grande.

Para finalizar: Ervas frescas, sementes torradas, queijo ralado, gengibre fresco, algas, farinhas e farofas.

Modo de Preparo:

Coloque pouca quantidade de gordura, sele a sua proteína de preferência e, aos poucos, com o fogo alto, vire por todos os lados até que fiquem dourados por igual. Retire e reserve. Na mesma panela, sem lavar, acrescente gordura suficiente para untar a quantidade de cereais desejada. Refogue os aromáticos de sua preferência, se desejar acrescente algumas colheradas de molho de tomate. Adicione o mix de cereais, mexa bem para que a gordura se espalhe por todos os grãos. Acrescente o fundo (que pode ser frio ou quente, na proporção de 2-3 para 1 medida de cereais, vai depender da ‘dureza’ do grão). Coloque o sal, abaixe o fogo e tampe a panela e aguarde até o ponto em que os grãos estejam al dente. Adicione, então, a proteína, os vegetais, acerte os temperos e tampe novamente até que complete a cocção. Finalize o arroz com ervas frescas, sementes, folhas frescas e bom apetite!

Tenha também sempre na geladeira para substituição dos ingredientes:

Extrato ou molho de tomate caseiro: Acentua o sabor das preparações e confere cor.

Fundos aromáticos: Legumes, carne, peixe ou frango. Confere nutrientes, aroma e sabor aos alimentos.

Vegetais assados: Escolha a variedade e quantidade que quiser, asse com azeite e especiarias a gosto.

Castanhas e sementes: Castanha de baru, do Pará, de caju, nozes, pecans, semente de girassol, amendoim etc. Conferem textura e nutrientes.

Ervas aromáticas: Salsinha, cebolinha, manjericão, coentro, alfavaca, ou qualquer outro que agrade seu paladar.

 




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