Diversidade de talentos

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Vanessa Soares Oliveira

 A arte é universal. Não importa raça, credo, cor, opção sexual, língua, nação, cultura, classe social e faixa etária. É uma linguagem que tem capacidade de conversar com qualquer público. E para tentar desmistificar quem ainda pensa o contrário, a Pinacoteca de Mauá cede seu espaço para a 1ª Mostra de Arte Urbana, que pode ser visitada até 20 de outubro. A entrada é gratuita.

Ao todo são dez artistas, todos do município. A iniciativa para a exposição surgiu do próprio grupo, que se reuniu, montou o projeto e fez a proposta. Logo de cara, ainda do lado de fora, chama a atenção a instalação feita na fachada. Intitulada Atraindo Olhares, foi produzida por Dener de Sousa, um dos artistas da mostra, com material considerado ‘lixo’, com o intuito de justamente despertar a curiosidade de quem passa pelo local.

“Quando me propus a fazer, queria atrair o olhar das pessoas sobre o espaço que estou ocupando, sobre o objeto que estou usando e também do negro para o local de arte. Se vê muito pouco um negro nessa condição de artista ou sendo representado em uma obra dentro de espaço artístico como esse. Na maioria das vezes, é sempre na condição histórica de escravidão. Nunca em uma condição de quem tem um sentimento, um pensamento, uma emoção”, explica Sousa.

Além disso, Sousa também expõe obras da série Sobrevida, todas feitas com recicláveis. “Pego materiais que seriam descartados e dou uma nova utilidade a eles. Os elevo à condição de matéria-prima para elaborar meu trabalho. E em cima desse suporte expresso sentimentos e pensamentos”, afirma.

A diversidade de materiais e a qualidade das obras impressionam. Entre as matérias-primas usadas, pode-se observar vidro, madeira, lã, pregos e tecidos, entre outras. “Essa diversidade é uma das coisas que qualificam a exposição”, opina Cecília Bedeschi de Camargo, uma das curadoras da mostra.

REFLEXÕES
Rhay é outro artista com obras na exposição de série ainda sem título. São três telas sobre vidro, recolhidos por ele de antigo Cras (Centro de Referência de Assistência Social) que foi demolido. “Nesta série queria representar que a arte é frágil, assim como a vida. Neste ano, tive a perda do meu pai e nunca contei com a presença dele aqui. Minha mãe se separou quando eu era criança e tinha esperança de vê-lo um dia. Aconteceu dele ter sido assassinado e não ter tido a chance de encontrá-lo. Então, comecei a refletir sobre a vida, a fragilidade e a questão da transformação também. Uma pequena coisa pode gerar uma mudança na vida das pessoas. Queria retratar isso nessa série”, conta.

Além de Rhay, a 1ª Mostra de Arte Urbana também conta com obras de Rodrigo Creper, Branco Peretti, Plano B, Meneses, Talita Rocha, Sonyc, Monica Ancapi e Ramonegro. Vale muito a pena ver de perto.

A Pinacoteca dispõe de visitas monitoradas para escolas e pequenos grupos. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone 4512-7480

>Mostra de Arte Urbana – Pinacoteca de Mauá – Rua Gabriel Marques, 353. Visitas de segunda a sexta, das 8h às 18h – Até 20 de outubro – Entrada gratuita.




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