Comer ou jejuar

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Alessandra Paula Nunes

Estamos acostumados a ver pessoas jejuando por motivos religiosos, com a ideia de fazer penitência. A novidade agora é que muitos estão usando o recurso de fazer jejum para reduzir peso. O nome dado a essa nova estratégia é ‘jejum intermitente’, onde alterna-se períodos de alimentação com outros sem pôr nada na boca. 

Não podemos ser levianos a ponto de condenar a prática sem antes analisar os pró e contra. Então, vamos entender como o organismo reage ao processo.

Quando acabamos de comer o organismo precisa dar um destino para a energia absorvida em forma de glicose. Assim, ele ativa a insulina, que será a responsável por transportar a glicose para as células. A glicose que não será utilizada pelas células será armazenada em forma de gordura, no tecido adiposo. Quando ficamos longo tempo sem se alimentar o organismo é obrigado a usar essas reservas. Assim, o organismo utiliza tanto o glicogênio, uma forma de energia armazenada nos músculos, quanto o tecido adiposo, ativando o hormônio glucagon, que atua na utilização dessa gordura armazenada com a finalidade de fornecer energia. Quanto mais tempo ficarmos em jejum, mais tempo o glucagon fica atuando no organismo, o que facilita a perda de peso. 

Então, para seguir o protocolo do jejum basta apenas definir o tempo que ficará sem se alimentar. Os mais utilizados são: 16/8 (alimentação por oito horas e jejum por 16 horas); o eat-stop-eat (coma-pare-coma): o método preconiza jejuar por 24 horas duas vezes/semana; 5/2 (restringe o consumo a 500 ou 600 Kcal por dois dias na semana, nos outros, tudo normal.) 

Temos benefícios? Se realizados corretamente e com o acompanhamento nutricional e médico, os protocolos de jejum podem sim trazer benefícios. Além do emagrecimento, reduz a resistência à insulina diminuindo o risco de diabetes tipo 2; reduz colesterol LDL, ajuda na ativação de células nervosas, sendo um possível fator de prevenção contra a doença de Alzheimer, e alguns estudos mostram que pode aumentar a longevidade.

Mas os malefícios também são inúmeros:  tendência a compulsão, por ficar muito tempo sem se alimentar; o acúmulo de cortisol (o hormônio do estresse) para mobilizar as reservas de energia; insônia, afinal de contas, quem consegue dormir com fome? Feito por longo prazo e sem o acompanhamento profissional pode levar a problemas como desnutrição, hipoglicemia, fraqueza muscular, dificuldade de concentração.

Gestantes, lactantes e adolescentes não devem fazer esse protocolo, assim como pessoas com histórico de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Também não se deve praticar atividade física no período de jejum.

Mas antes de adotar qualquer método restritivo, cerque-se de profissionais capacitados para avaliar os pró e contra. Nenhum recurso é efetivo se for feito com radicalismo.




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