Copinho amigo

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Karine Manchini

 Desde que o mundo é mundo as mulheres menstruam. Cada época foi marcada por invenção que tentou proporcionar algo que fosse mais confortável e ajudasse a passar pelo período. Mas nem sempre essas criações são benéficas à saúde ou ao meio ambiente, sem contar com o medo de vazamentos e com o incômodo de precisar trocar a cada duas, três horas. O absorvente convencional, por exemplo, é grande poluente por usar material de difícil desintegração na natureza e que pode causar alergias, porém é o mais usado há muito tempo. Já os internos foram considerados modernos por anos, mas também deixam mulheres com o pé atrás por causa do famoso choque tóxico, emergência rara causada por proliferação de toxina proveniente de bactéria que se multiplica devido ao uso prolongado do produto.

Com o objetivo de tentar resolver esses dilemas, há poucos anos está sendo bem comentado – e cada vez mais usado – no Brasil o chamado coletor menstrual. Feito de silicone, trata-se de um 'copinho' de pouco mais de quatro centímetros, em média, antibacteriano, hipoalérgico, reutilizável e com tamanhos diferentes (o menor para quem ainda não tem filhos). Existem nove dobras que permitem inseri-lo no canal da vagina. O indicado é testar para ver qual é o mais confortável. Algumas marcas oferecem o produto, que pode ser comprado pela internet. Custa, em média, de R$ 65 a R$ 85, mas dura até três anos, desde que se faça a higiene necessária. Não pode ter rachaduras ou outros tipos de danos.
 
Ok. Não parece assim tão fácil. No começo realmente não é. A mulher precisa fazer alguns testes antes, descobrir a altura do colo do útero, aprender a colocar e não ter nojo do próprio sangue – sim, é preciso enfiar o dedo mesmo. Depois, segundo as usuárias, é uma maravilha sem fim. Entre as vantagens está a de não precisar tirar toda hora (a troca obrigatória é após 12 horas), a de não ter cheiro porque o sangue não entra em contato com o ar, de poder fazer as atividades diárias sem se preocupar se vai vazar ou marcar, e também, e longe de ser menos importante, a de conhecer cada vez mais o próprio corpo.
 
 
QUESTÃO DE ADAPTAÇÃO
A estudante Juliana Martin Stern, 20, conheceu o produto por meio de vídeos do YouTube e o usa há mais de um ano. Com menstruação de fluxo intenso, tinha que fazer diversas trocas dos absorventes comuns durante o dia e em banheiros públicos, o que a deixava desconfortável. “O coletor é ótimo porque me sinto livre. Posso ficar com ele mais tempo, fora que eu considero mais higiênico do que o absorvente comum”, conta. No início, a estudante teve alguns problemas por conta do tamanho errado, mas depois que acertou tudo ficou melhor. “Estava complicado porque não encaixava direito e acabava vazando. Mas depois que comprei o certo, nunca mais tive problemas. É perfeito, eu adoro”, explica.
 
Patrícia Gori Stancu, 22, veterinária, recebeu a indicação de uma amiga que usa há tempos e gosta muito. Depois de pesquisar bastante, decidiu comprar e não se arrepende. Patrícia usa somente há dois meses, ainda está em período de adaptação e não trocou totalmente o uso dos absorventes comuns pelo copinho, mas já recomenta por considerar ser uma ideia legal, por não sentir o produto incomodando e por não ter tantos problemas de vazamento. “Nos primeiros dias tive problemas para colocar e tirar. Rolou até um pânico achando que não ia conseguir tirar nunca mais, porque forma espécie de vácuo. É preciso dobrar para dar certo. Mas depois que peguei o jeito ficou tudo mais simples”, conta. Mesmo comprando do tamanho indicado, o que mais impressionou Patrícia na hora de receber o produto foi o tamanho, pois acreditava que era menor. “Apesar de parecer bem incômodo, recomendo ter muita paciência na colocação e retirada. Leva tempo mesmo.”
 
Ao contrário de Patrícia, que teve um pouco de dificuldade na hora de se adaptar ao copinho, a atriz Helena de Miranda Brandão Borges, 20, usa o coletor há três anos e conseguiu se dar bem com o produto desde o primeiro dia. “Me senti maravilhosamente bem. Hoje, quando esqueço do coletor e preciso usar um absorvente, sofro muito e acho horrível. Indico para todas as mulheres que me perguntam”, recomenda.
 
 
DÚVIDAS DE MONTE
Como tudo o que é novidade e mexe com o íntimo do ser humano, os tabus e mitos insistem em reinar. Confira algumas perguntas respondidas pelos médicos consultados pela Dia-a-Dia André Vinícius Florenti­no, ginecologista da clínica Mais Excelência Médica, e Guísella De Latorre, ginecologista do laboratório Fleurity.
 
Quem é virgem pode usar?
Apesar de não existirem contraindicações é desaconselhado o uso em virgens, pois durante a manipulação pode haver ruptura do hímen. Não é indicado também nos primeiros dias após o parto. Outro fator muito importante é nas usuárias de DIU, pois durante a manipulação do coletor pode haver alguma tração sobre o fio do contraceptivo, deslocando o mesmo. Não chega a ser contraindicação, porém requer cuidado maior.
 
Pode ter relações com o coletor? Ele previne gravidez e doenças?
A maioria dos coletores menstruais disponíveis no mercado não permite seu uso durante as relações sexuais devido à haste, que incomoda durante a penetração. Porém, existe uma marca cujo fabricante informa que devido ao material e tamanho reduzido da haste, não ocorre desconforto. Mas é importante reforçar que o coletor jamais deve ser usado como método contraceptivo ou de combate a doenças. A finalidade dele é apenas coletar sangue menstrual.
 
Como limpa?
Cuidar da higienização do coletor é fundamental para a saúde e a vida útil do produto. O certo é lavar (com sabonete neutro) e ferver (em panela ou recipiente de vidro) a cada vez que for retirado. Não pode esquecer de fazer o processo antes mesmo de usar pela primeira vez. Além disso, o coletor deve ser mantido em recipientes arejados, para dificultar a proliferação de bactérias e fungos.



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