A esperança precisa sobreviver

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Marcela Munhoz

No dia do fechamento da revista, quando escrevi este editorial, fui acordada às 7h30 com a notícia: ‘O avião com o time da Chapecoense caiu’. Ainda confusa e cansada do plantão do fim de semana, no qual, inclusive, editei o texto do jogo do Brasileirão entre Palmeiras e a equipe do Sul, corri para a Redação. Precisava completar a missão de deixar esta Dia-a-Dia prontinha. Enquanto meus colegas comentavam minuto a minuto detalhes do fato, quem eram os mortos – e realmente impossível não lamentar pelos garotos tão cheios de alegria, pelos pais de família, pelos parceiros de profissão –, só conseguia pensar nos sobreviventes. Como poderia sair alguém vivo daquele acidente gravíssimo? E saiu. Saíram, no plural. Ficaram por aqui os acidentados. E também permaneceram as famílias dos que se foram. Os que receberam de volta a vida e os que terão de reaprender a seguir sem seus entes queridos que lhe foram tirados. Mas, em comum, são todos sobreviventes.

E após um desastre – e um ano, vamos combinar! – como este, vem a pergunta: como seguir? Por um momento pode parecer que tudo acabou, que nada mais faz sentido. Porém, como que por um milagre, o fio de esperança volta a brotar em meio ao caos, gestos de gentileza e solidariedade acalentam, o coração bate lentamente e novamente ordenado no peito. A dor fica, a saudade também, mas o amor e os sonhos não desaparecem. São como plantas bem verdinhas e fortes que teimam crescer no solo seco, duro. ‘Os sonhos regam a existência com o sentido’, já diria o escritor brasileiro Augusto Cury. Faz todo sentido. Precisa fazer.

Nesta última edição de 2016, histórias de sonhos e sobrevivência são as protagonistas. São pessoas que remaram contra a maré e conseguiram fazer deste o melhor ano. Quem ganhou novos sentidos para continuar neste mundo, por vezes injusto (será?). Rosineide ganhou um pulmão, Cristiane doou a medula. “Nós renascemos, achamos os nossos filhos”, declara Flávia, mãe adotiva de primeira viagem. Amor lindo de se testemunhar. Voltando ao Cury, recomendo o filme O Vendedor de Sonhos, que estreia neste mês. Dirigido por Jayme Monjardim, é uma aula de como transformar a dor em amor, o sofrimento em superação. É sobre repensar prioridades e entender que tudo pode ser uma despedida, um último abraço, um último texto, a chance derradeira de pedir perdão ou perdoar, de dizer que ama. E quando a única solução parece ser colocar o ponto final, vem alguém e oferece uma vírgula. Que 2017 seja repleto de vírgulas, amores e sonhos para todos nós, então.

A Dia-a-Dia sai de férias em janeiro, voltamos a nos encontrar em fevereiro. Até lá! #ForçaChape.




Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2017. Todos os direitos reservados