No baile do amor

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Miriam Gimenes

 A oxitocina é conhecida como o hormônio do amor. Li­berada no sangue logo após o parto e durante a amamentação. É responsável por aquele sentimento que queima no peito de tão forte. Ela é produzida, também, ao longo da vida, principalmente pelas mulheres, em tudo que há grande envolvimento emocional. É por isso que as lojas com artigos infantis borrifam no ar o famoso ‘cheirinho de bebê’, para que as mães, ao sentirem o aroma, produzam a tal molécula e fiquem atraídas pelo estabelecimento.

 
Agora imagine ir a um lugar repleto de mulheres com seus rebentos a tiracolo. Nas aulas de dança materna para mães e bebês a atmosfera exala oxitocina. A prática, além de propiciar a vivência especial de dançar em dupla (ou em trio, já que o pai é sempre bem- vindo), possibilita às mães o retorno à vida social depois do parto, a otimização da redução de peso, reeducação corporal (que refletirá positivamente no modo de carregar e amamentar o bebê) e incentiva o mútuo conhecimento entre as partes envolvidas. As aulas são ainda um momento de troca com outras mulheres que estão atravessando a mesma fase da vida. Afinal, quando se é mãe, há sempre algumas (inúmeras) dúvidas e algo a aprender.
 
Segundo a professora Ingrid Gonçales Sierra, mãe de Lorena, 3, e Murilo, 8 meses, a aula é um projeto de atenção integral à mãe e ao bebê ­– desde a gestação até os três anos de vida – criado pela bailarina Tatiana Tardioli em 2008. “A aula para Mães e Bebês de Colo e En­gatinhantes, mais do que propor que se coloque um bebê no sling e saia dançando, traz um olhar para a experiência estética, para os cuidados com a mulher no pós-parto e com os aspectos físicos e emocionais do bebê, além de intensificar o vínculo com sua mãe, a interação e brincadeiras entre ele e os outros pequenos. O contexto é considerado em toda sua complexidade de delicadeza e o momento da dança é o auge nesta teia de sentidos e relações”, explica.
 
Ela, que ministra aula em dois lugares em Santo André ­– Clínica Spacci e Casita – diz ainda que a prática proporciona relaxamento para as crianças, que se beneficiam da rotina, principalmente nos primeiros três meses de vida, os mais difíceis em todos os sentidos. “Algumas têm relatado redução na incidência de cólicas e melhora no sono dos bebês”, ressalta. As mães também ganham benefícios para o corpo e mente, isso porque o alongamento e fortalecimento são feitos de maneira conjunta, o que faz com que os exercício beneficiem o corpo todo, sem alongar um músculo em detrimento do outro. Há um trabalho específico de for­talecimento e percepção do períneo, exercícios adequados para quem sente dores localizadas, comuns no pós-parto.
 
A única ‘ferramenta’ usada durante as aulas, que são semanais e duram uma hora e meia, é o sling. Ele oferece vantagens para ambos: o bebê recebe mais a ternura por estar mais próximo a mãe, o que facilita a criação dos laços, a sensação de proximidade e o sentimento de confiança. “(O sling) Ajuda a embalar e a acalmar o bebê e também a interação por estar ao nível da mãe. Isso tudo faz com que o pequeno fique mais calmo, confiante e esteja mais disponível para aprender”, reforça Ingrid.
 
 
A professora conta que ao descobrir a prática uniu o útil ao agradável. Ingrid se interessou pela dança durante a licença-maternidade do segundo filho e não se arrependeu. “Na época não havia aula em Santo André e verifiquei no site da Dança Materna que eles ofereciam cursos de formação para novas professoras. O meu perfil atendeu aos requisitos necessários. Então realizei o curso, na época me formei com mais 11 professoras de diferentes cidades do Brasil. Além disso, as características do projeto iam ao encontro do meu momento maternidade que, após a saída do trabalho formal para oferecer uma maior dedicação aos filhos, encontrei a oportunidade de empreender e também poder ficar mais tempo com eles. Hoje ministro as aulas com o meu filho de 8 meses de idade.” Fica a ideia. Para mães que realizaram parto normal é indicado iniciar a dança somente após 30 dias do nascimento e, para as que fizeram cesárea, após 45 dias.
 



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