História de<br>um anarquista

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Vinícius Castelli<br>Do Diário do Grande ABC

No dia 5 de maio de 1919, um jovem andreense reivindicava melhores condições de trabalho. Constantino Castellani, 18 anos, era funcionário da tecelagem Ipiranguinha e, assim como outros, se sentia extremamente explorado. Ele foi um dos líderes de uma paralisação com centenas de trabalhadores. O ato se tornou piquete, que virou passeata no Centro de Santo André, na Rua Coronel Oliveira Lima, na frente da fábrica Streiff, local onde Castellani foi morto, naquele mesmo dia, vítima de bala de fuzil disparada por um soldado.

A história de Castellani, conhecido como um dos primeiros anarquistas da região e um dos fundadores da União Operária, pode ser conferida agora no livro Constantino Castellani – O Primeiro Rebelde (Editora Estranhos Atratores, 96 páginas, R$ 30, em média), obra do escritor andreense Jairo Costa. Independente, pode se comprada pela página Editora Estranhos Atratores, no Facebook.

O lançamento faz parte de uma série de ações, batizada Ano Castellani, com vários shows, roda de conversa, lançamento de cerveja, que vem acontecendo ao longo dos últimos meses. O autor conta que a ideia de falar de Castellani surgiu em 2013. Ele queria escrever artigo sobre as origens do sindicalismo no (Grande) ABC e saber o que tinha acontecido antes das grandes greves de 1978 e 1980. Até que encontrou na biblioteca de Santo André um livro falando sobre ele.

Para realizar a obra, Costa explica que consultou arquivos do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André – onde ficava a União Operária –, bibliotecas públicas e acervos particulares. Ele também cita a importância do material publicado ao longo dos anos pelo jornalista e historiador do Diário Ademir Medici.

“Foi fascinante descobrir o início da politização da região. Tudo começou com uma greve contra a tecelagem Ipiranguinha, que explorava centenas de mulheres e crianças”, explica. O autor acredita que a maioria da população não faz a menor ideia de quem foi Castellani e de seu fim trágico.

Costa conta que, ao longo de sua pesquisa, se assustou com as precárias condições de trabalho da época. “Ele trabalhava na (tecelagem) Ipiranguinha, que era conhecida desde 1906 como uma prisão industrial, com turnos que duravam às vezes 15, 16 horas por dia, (com) péssimos salários e nenhum direito trabalhista”, explica. “Certamente Castellani e seus companheiros da União Operária tinham total noção de que eram explorados e de por que e por quem lutavam”, acrescenta.




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